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Lenda da Senhora da Assunção
8001103Vila Flor-7,1820141,34879146
Lenda da Senhora da Assunção
Lendas

[A capela da Senhora da Assunção, em Vilas Boas] foi um templo muito humilde na sua origem e pelo meio do século XVII caiu em tal abandono que os gados “n’ella sesteavam”, mas um facto muito extraordinário a salvou do olvido.

Em 4 de setembro de 1673, uma menina de Vilas Boas, por nome Maria, de 10 anos de idade, filha de Jacome Trigo, estando a lavar em um ribeiro contíguo à vila, apareceu-lhe uma mulher de surpreendente beleza que a chamou, lançou-lhe a bênção, levou-a a uma ribanceira próxima, da qual brotou no momento uma fonte de água, banhou-lhe a cabeça, e lhe disse:

– Estás sã do mal que padecias, mas a sesão [sezão] que tiveste na Sexta-Feira te há-de repetir ainda hoje; vai pois para tua casa e depressa, para que te não dê no caminho.

Disse-lhe mais:

– Lembras-te de quando ias defronte da minha Casa, na Portela de Vale Formoso, e eu peguei em ti sem o saberes, livrando-te de perderes a vida em um despenhadeiro, indo em teu seguimento João Lopes e Affonso Trigo que te levou nos braços para casa? Eu sou a Virgem da Assunção. Vai e diz aos teus vizinhos que jejuem a primeira Sexta-Feira e concertem a minha casa, porque eu não cessarei de interceder por vós todos...

No dia 7 do mesmo mês, estando a menina com os seus pais em uma eira limpando um pouco de pão, a mesma Senhora lhe apareceu outra vez, sendo já sol-posto, e lhe disse que fosse à sua capela. Foi. A meio da ladeira do monte encontrou a Senhora; viu a capela com as portas fechadas e toda cheia de luzes, e a Senhora, tomando uma cruz de madeira que estava na encosta, deu-a à menina e disse-lhe:

– Vai à vila recomendar de novo a todos que não se esqueçam do jejum, e dá-lhe a beijar esta cruz.

Apenas chegou a casa dos seus pais, onde encontrou Bento Lopes e um moço chamado João, pediu-lhes que a acompanhassem, ao que eles anuíram, e, tomando duas velas acesas, percorreram a povoação com a menina, dando esta a beijar a cruz a todos e recomendando-lhes o jejum.

No dia seguinte, Sexta-Feira, 8 de setembro, dia da Natividade da Senhora, foi a menina repor a cruz no sítio de onde a havia trazido. A Senhora de novo lhe apareceu e lhe disse que todos os Sábados fosse vê-la à sua capela, o que a menina cumpriu.

Em breve se divulgaram estes factos e logo se avivou a fé com a Virgem da Assunção nos povos circunvizinhos até muitas léguas de distância, aumentando espantosamente de dia para dia a concorrência dos fiéis e as rendas do santuário com as ofertas em cumprimento de votos e em sinal de gratidão pelas curas maravilhosas que experimentavam os enfermos.

Fonte: LEAL, Pinho; “Portugal Antigo e Moderno”, Vol. 11; Lisboa, Livraria Editora de Mattos Moreira & Companhia, 1886, p.1403. PARAFITA, Alexandre; “Património Imaterial do Douro”, Vol. II; Âncora Editora, Fundação Museu do Douro; 1ª edição, 2010, pp. 280 a 282.

Obra inspirada nas lendas do Douro | © José Emídio
Pontos de Interesse e Itinerários Associados
Localização
Morada: Vilas Boas | 5360-493 Vila Flor.
Longitude: -7,18201 | 7° 10' 55,2" W
Latitude: 41,34879 | 41° 20' 55,6" N
Observações sobre a localização: Esta localização é uma referência geográfica aproximada de lugares referidos nesta lenda.
Contactos
Nome: Museu do Douro
Telefone: 254310190
Fax: 254310199
Email: geral@museudodouro.pt
Website: http://www.museudodouro.pt/


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